Newsletter ECD #010 - 10/08/2020

 Olá a tod@s.



Muito obrigado por se inscreverem na nossa newsletter.

Se quiserem passar para os amigos, o link para preenchimento do formulário de inscrição é: https://forms.gle/bQLz561Y2kqUfnhdA. As Newsletters anteriores estão no site da ECD www.ecdambiental.com.br caso alguém queira lê-las. 


Na semana que passou, foi um misto de emoções: entregamos o galpão que sediou a ECD por 16 anos, o que é triste pelo fim de um ciclo, mas foi muito legal receber as muitas, muitas mensagens de apoio, solidariedade e incentivo. Marca também um novo ciclo onde nos afastamos gradualmente da sondagem e vamos um pouco mais para o lado da melhor técnica, da pesquisa e desenvolvimento, do ensino, do compartilhamento, entre outros projetos. Durante a semana também aconteceram outras coisas bem legais: publicamos um novo vídeo no Canal da ECD (sobre a famosa "portinhola") e a 1ª parte da entrevista muito legal com Atila Pessoa no Podcast. Além disso, tivemos a Aula Inaugural da 20ª turma do curso de Pós-Graduação em Gerenciamento de Áreas Contaminadas (GAC) do SENAC, com a ilustre presença de Robert Cleary, que agora faz parte do corpo docente desse curso, para a alegria de todos.
Aqui na Newsletter, tivemos alumas novas inscrições na última semana. Agradeço e dou boas vindas a: Rafiza, Roberto, Danilo e Renato. Espero que gostem!!!!

Vamos agora às principais notícias e dicas da semana:




1. Para quem não leu meu depoimento sobre a mudança da ECD, por favor, veja no site, que vocês vão entender muito do que se passa no momento atual e nos nossos projetos: http://www.ecdambiental.com.br/2020/08/e-tempo-de-mudancas-na-ecd-agosto-2020.html 

2. O vídeo da terça passada foi, o 2º episódio da série Erros na Investigação, onde falo da portinhola e do diâmetro dos trados ocos helicoidais para a (não) instalação de poços de monitoramento: https://www.youtube.com/watch?v=DXvZ1teicZQ; Essa semana, infelizmente, não consegui fazer o vídeo, desculpem

3. Na quinta-feira passada, no 15º Episódio do nosso Podcast Áreas Contaminadas, eu fiz uma entrevista muito legal com Atila Ferreira Pessoa, Geólogo da EBP/Geoklock. A entrevista foi tão legal que dividi em 2 episódios, o 2º vai ao ar nessa semana, na quinta-feira. No episódio que já está no ar, ele fala sobre as relações Geotecnia/GAC, sobre seu início na Geologia e no GAC, sobre seus dois pontos de virada na carreira, sobre como elaborou seu brilhante trabalho apresentado na Conferência AESAS/2019 e dá uma aula excelente sobre Geoestatística e sua relevância para o GAC. O episódio é imperdível e as referências que ele deixou, também. Nessa semana, ele irá detalhar as ferramentas de investigação em tempo real (MiHPT, LLMIP, HPT-GWS, Frogg e outros) e vai falar mais sobre algoritmos, dados e visão de futuro.  Espero que gostem. Enquanto isso, conheçam mais do Atila no Linkedin: https://www.linkedin.com/in/atila-ferreira-pessoa-95a814a5/

4. Charle Dayler , Analista do IBRAM, Instituto Brasília Ambiental, órgão ambiental do DF, está promovendo uma série de Webinários sobre GAC em seu canal do Youtube, com temas e convidados muito bacanas, normalmente às segundas e quintas às 17:00 hs. Recomendo que tod@s assistam. Informações sobre a programação, vídeos já realizados e download das apresentações no site: https://www.charlesdayler.com.br/post/webinargac . Semana passada, tivemos Thiago Gomes, da Doxor, Afranio Pessoa, da Kazz Ambiental, e Martim Afonso de Souza, da ERM, todos falando sobre Remediação. Essa semana, teremos dois jovens palestrantes: Willem Takiya, da Arcadis, falando de intrusão de vapores e Kauê Santarelli, falando de mudança de uso de áreas

5. Na outra semana, dia 19/08, a AESAS/SENAC promoverá mais um Encontro Técnico gratuito online, com o tema Investigação de Alta REsolução. Terei o prazer de ser um dos debatedores, junto com meus amigos Marco Pede, da In Situ e Julio Vilar, da Arcadis, que inclusive já foi entrevistado por mim no Podcast. Fiquem atentos para as inscrições, com vagas limitadas

6. Esse fio no Twitter é muito interessante: ele fala sobre alguns pesquisadores que são referências em suas áreas de atuação, mas que, por uma série de motivos, acabam por correr a sua credibilidade científica ao se aventurarem em áreas que não conhecem e são "negacionistas". Em tempos tristes de Fake News e de pandemia (e de Fake News sobre pandemia), é importante ter essa visão e clareza que nem toda unanimidade em uma determinada área é sábio em outras: https://twitter.com/josegallucci/status/1283440337449619456

7. Na aula inaugural da nova turma de GAC no SENAC, do último sábado, o professor Paulo Negrão falou bastante sobre o caso do Love Canal. Fiquei surpreso ao descobrir que boa parte dos alunos (consequentemente infiro que boa parte do mercado) não conhece o caso. Por isso, coloco aqui algumas referências sobre o caso mais importante da história das áreas contaminadas no mundo:

8. Assistindo à aula do professor Martim, no canal do Charles Dayler, me lembrei de colocar para vocês um excelente curso gratuito sobre Atenuação Natural Monitorada. É fantástico, não só para esse tema, mas também para a evolução dos estudos em GAC e também sobre modelos conceituais. Recomendo que todos façam: https://www.coursera.org/learn/natural-attenuation-of-groundwater-contaminants . Mereceria uma tradução em português.

9. Uma notícia importantíssima para a economia do Brasil, com interface relevante no nosso mercado de GAC é essa, que aponta que a Braskem será vendida: https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/08/08/odebrecht-inicia-processo-para-venda-da-braskem.ghtml

10. Aproveitando o tema "dados" do Podcast com o Atila, vi essa postagem no Linkedin anunciando um webinário gratuito sobre Python das Geociências. Para quem se interessa por esse tema, é uma bela pedida: https://www.linkedin.com/posts/anacarolinapereirasantoro_webinar-aplica%C3%A7%C3%B5es-em-python-para-problemas-activity-6697861688680570881-kKYT/

11. Além do caso do Love Canal, há mais alguns filmes e documentários que são importantes para quem trabalha na nossa área. Recomendo que todos assistam. São eles:

12. Ainda sobre Casos Históricos, recomendo que conheçam mais 4 casos emblemáticos no Brasil:
- Incêndio na Vila Socó, Cubatão, com muitos mortos, decorrente de vazamento de gasolina: http://memorialdademocracia.com.br/card/descaso-e-fogo-em-cubatao-matam-500
- Caso Rhodia Cubatão (um olhar não muito técnico, mas que nos faz entender a existência do GAC): https://acpo.org.br/arquivos/pagina-institucional/links-convenios-publicacoes/paulo-ferraz-tese-mestrado.pdf 
- Cidade dos Meninos (trabalho em uma perspectiva diferente da nossa, mas é um olhar interessante) : http://www.professores.uff.br/seleneherculano/wp-content/uploads/sites/149/2017/09/JUSTI%C3%87A_AMBIENTAL_de_Love_Canal__v5_%C3%A0_Cidade_dos_Meninos.pdf

13. Uma postagem interessante de Aylan Meneghini no Linkedin, que dá alguma perspectiva de fronteira de estudos em biorremediação: https://www.linkedin.com/posts/aylan-kener-meneghine-898952bb_scientists-stumbled-across-the-first-known-activity-6695537034351656960-Novz/

14. Para quem mexe com dados, uma aula imperdível que o Calvin Iost disponibilizou em seu site: https://dadosambientais.azurewebsites.net/2020/08/06/modelo-conceitual-3d-usando-evs/ . Foi um curso In Company que ele ministrou para a Elementus. Você não vai ver algo tão bom gratuito tão cedo, aproveitem

15. Já que você vai no site dele, veja a versão que ele publicou do nosso podcast, em vídeo (nem me preparei para isso hehehe): https://dadosambientais.azurewebsites.net/2020/08/01/podcast-com-marcos-tanaka/


16. Já que falamos muito de dados, vou retomar algo que o Atila falou no Podcast, sobre estatísticas espúrias, ou sobre como pintar o alvo ao redor da flecha que você atirou, ou ainda sobre como maltratar os números até eles te darem a resposta que você quer. Um texto simples está aqui: https://www.updateordie.com/2017/11/10/relacoes-espurias-ou-porque-mais-pessoas-se-afogam-quando-o-nicolas-cage-faz-filmes/
Observando as metas e critérios do Plano São Paulo, temos um exemplo disso:





- Os dois quesitos que realmente valem (peso 4 e peso 3), são: % de ocupação de leitos de UTI e variação de novas internações a cada semana.
-  Os índices foram "flexibilizados" em julho para a 2a foto, permitindo que a "Fase Amarela" tenha Entre 70-80% de ocupação dos leitos de UTI (mais ou menos 2.5 p.p). Isso é um claro exemplo de maltratar os números para fazer a abertura disfarçada de "criteriosa" ou "científica". Ainda atribuindo peso 4 a esse quesito
- Notem que laranja ou amarelo é o mesmo índice;
- O quesito "novos casos" tem peso 1, ao passo que "novas internações tem peso 3"
- O índice é dado pela razão entre semana passada e semana anterior, não importando quantas internações ou quantas mortes ou quantos novos casos existem, só importa se diminuiu. Então, é muito fácil maltratar os números, basta inflar os testes em uma semana, e na seguinte, não testar ninguém
- A ênfase no sistema de saúde (internações e leitos de UTI) mostram que os tomadores de decisão se preocupam em não colapsar o sistema de saúde, o que é louvável e importante, mas estão, nas entrelinhas, dizendo que vão dar as condições, mas quem tiver que morrer, vai morrer, ou seja, idosos, diabéticos, cardiopatas e outros dos "grupos de risco"não são prioridade. Não há uma preocupação em evitar o contágio, ou fazer com que as pessoas não contraiam o vírus, mas sim, em atender quem tiver sintomas graves e cuidar para que não aumente muito o número de casos. Se ficar assim (1000 mortos/dia no Brasil), eles consideram que a pandemia está "controlada" ou "no platô", mais uma forma de maltratar os números;
- Em Sorocaba, que "evoluiu" para a fase amarela, na última semana (crucial para o índice) não testavam sequer as pessoas com sintomas leves que moravam na mesma casa de pessoas internadas, mostrando claro sinal de subnotificação, consequentemente, estatísticas espúrias para tomada de decisão. A prefeita, no discurso de comemoração, disse que "é importante preservar vidas, mas tem que haver um equilíbrio entre preservar vidas e a economia da cidade..." Difícil de acreditar, mas pode ser visto na entrevista dela: https://www.facebook.com/prefeituradesorocaba/videos/3123826014398333/?epa=SEARCH_BOX
- Ou seja, claramente os critérios são feitos com o objetivo de se tomar uma decisão, a de reabrir a economia, mas com um verniz científico, técnico, "amparado nos números e nos critérios de saúde científicos". Em resumo, utilizando estatísticas espúrias
- Os tomadores de decisão, públicos ou privados, não estão priorizando a saúde das pessoas, infelizmente. Cabe a nós cuidarmos de nós e dos que conhecemos e amamos e estão mais vulneráveis (no meu caso, meu sobrinho é cardiopata, meus pais e tia são idosos, minha sogra é idosa e diabética)

Concluindo, se esse tipo de tomada de decisão baseada em dados ocorre com algo tão sério e de vida ou morte como é o caso da pandemia, como são tratados os dados no GAC? É fácil maltratar os dados para eles nos darem a conclusão que nós queremos? Quais interesses estão em jogo em uma situação do GAC?


Aguardo os comentários, sugestões e críticas.


Se alguém não quiser mais receber as minhas mensagens, é só responder esse e-mail com o texto REMOVER



Mais uma vez obrigado pela atenção e até a semana que vem



Marcos Tanaka Riyis
ECD Ambiental

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