Newsletter ECD #020 - 18/10/2020

 Essa Newsletter foi publicada semana passada, dia 18/10. Para receber a Newsletter no dia correto no seu e-mail, inscreva-se https://forms.gle/bQLz561Y2kqUfnhdA


Olá a todas e todos.



Muito obrigado por se inscreverem na nossa newsletter semanal. Essa é a #020. Se quiserem passar para os amigos, o link para preenchimento do formulário de inscrição é: https://forms.gle/bQLz561Y2kqUfnhdA. As Newsletters anteriores estão no site da ECD (www.ecdambiental.com.br) . 

Outro aviso: lançamos há uma semana uma campanha de financiamento no Apoia.Se (https://apoia.se/ecdambiental). Essa campanha tem como objetivo arrecadarmos fundos para ajudar a manter os nossos canais gratuitos de divulgação científica e compartilhamento de informações, dicas e materiais sobre Gerenciamento de Áreas Contaminadas (GAC). Nosso grande objetivo com as redes é "empoderar" vocês, pois dar conhecimento é dar poder. Se você optar por nos financiar, vai contribuir com o valor fixo mensal que você escolheu, cobrados diretamente no seu cartão de crédito ou pagando o boleto. Peço também que vocês indiquem o link (https://apoia.se/ecdambiental) para quem possa se interessar em nos ajudar economicamente. Mais detalhes vocês vão encontrar no apoia.se e, se quiserem mais informações, é só me perguntar.

Já temos 9 apoiadores, sendo 3 anônimos. Agradeço demais aos meus amigos Tatiana Sitolini, Willem Takiya, Filipe Ferreira, Allan Umberto, Diego Silva e João Paulo Dantas!!! Obrigado pela consideração!!!!

Foram muitas coisas essa semana, com destaque para o Episódio #025 do Podcast Áreas Contaminadas, a 2ª parte da entrevista com Meu Amigo Charles Oliveira de Jesus, muito legal e, para mim, muito emocionante. Além disso, fiz algumas contribuições com alguns grupos que estão se formando em muitas instâncias do GAC com objetivos de melhorar e fazer crescer tecnicamente todo o mercado. São muitas iniciativas legais, aos poucos vou contando para vocês aqui. Uma delas é a parceria SENAC/AESAS, que fechou um evento muito legal, um Webinar sobre LNAPL. Reservem a data: 18/11, às 15:00 hs!!!! Também no início de novembro, teremos um curso online ao vivo sobre Atenuação Natural Monitorada. Não percam!!!!

Durante a semana, conversei com alguns alunos e algumas alunas sobre seus trabalho de conclusão, ou monografia, ou dissertação, ou tese. Me deparei, nas conversas, com alguns assuntos que acho interessante compartilhar com vocês.

Um deles foi sobre sustentabilidade dentro da nossa área. Existem programas internacionais sobre Green Remediation (https://www.epa.gov/remedytech/green-remediation-incorporating-sustainable-environmental-practices-remediation), ou Remediação Sustentável (https://www.sustainableremediation.org/ ; https://nicole.org/uploadedfiles/2009-newsletter-sustainable-remediation.pdf ), inclusive no Brasil, com o grupo Nicole, muito ativo (http://ekosbrasil.org/remediacao-ambiental/). Mas ainda restaram algumas perguntas, para mim e para meus alunos: como eu sei que uma remediação é mais sustentável que a a outra naquele momento? Quais métricas devemos usar? Nossas métricas são as melhores? Estamos levando em conta o que? Consumo de água? Energia? Emissões? Eficiência/eficácia da remediação em si? Resíduos? Entropia? Mesmo algo mais "simples" de medir, que seria a investigação, existe algum trabalho quantificando a sustentabilidade do nosso trabalho? Mais ainda, é possível fazer a conta e decidir se, com a tecnologia e metodologia atual, é melhor ambientalmente remediar aquela massa ou deixar ela lá? Tomando, por exemplo, a energia gasta e as emissões de carbono, é possível fazer essa "conta"? Aí está um belo trabalho para ser feito. Quem topa?

Outro tema que discuti e gostei foi sobre remediação. Todos os grandes manuais de remediação (livros do Payne, do Suthersan, do Wiedemeier, do Stroo, do Siegrist, mais os documentos da EPA, do ITRC, do SERDP, etc) dizem que é preciso conhecer o meio físico em detalhe. É preciso ter um excelente modelo conceitual. Até aí todo mundo concorda. O problema começa na execução. Dando dois exemplos simples: alguém resolve optar por bombeamento como técnica de remediação. Seja P&T, seja um DPE. Uma parte dos projetos são feitos no escritório e executados e ponto final. Outra parte se propõe a fazer um teste de bombeamento, pelo menos para saber o raio de influência. Aí, se faz um ou mais poços de bombeamento e poços de observação de que forma? Com seção filtrante muito longa, interceptando várias unidades hidroestratigráficas como se fosse tudo uma coisa só. Ora, se a investigação está lá para determinar que cada UH tem uma característica (incluindo K, direção e velocidade de fluxo, potencial de retardação de contaminação, armazenamento, trapeamento, etc), como um teste em um poço com essa seção pode fornecer informações que embase adequadamente uma remediação? No meu entender é impossível. E os poços de observação, não dão as informações que precisamos? Se esses poços tiverem (como é a praxe) seção longa igual a dos poços de bombeamento, a informação está totalmente fora do que seria o adequado. O mais interessante é que os livros que mencionei falam exatamente o que deve ser feito. No entanto, no "mundo real", nosso mercado opta por "juntar tudo no mesmo bolo" e seguir em frente. Certamente isso causa ineficiência nos processos... O segundo exemplo é o SVE (Extração de Vapores). O normal é fazer um piloto, com um poço de extração e alguns poços de observação, onde fundamentalmente se observa o vácuo para se medir o raio de influência. Bom, se a zona saturada é heterogênea, anisotrópica, e tremendamente complexa, a zona não saturada é muito mais. O fluxo de gases no meio não saturado é muito complexo e sofre muita influência da pressão atmosférica e da umidade do solo, só para falar das grandes influências. Vocês já viram alguém medir essas variáveis para um teste de SVE? Vocês já viram alguém considerar essas variáveis nos cálculos do dimensionamento do SVE? E mais, os testes consideram que a zona não saturada é homogênea e isso está tremendamente equivocado. Vocês acham que há variação de fluxo entre camadas de areia e argila na zona não saturada? E nos aterros? Então, como conclusão dessa conversa, mesmo em remediações já consagradas, bombeamento e extração de vapores, os testes pilotos são insuficientes para tomada de decisão, imaginem como será com ISCO, Termal, Biorremediação? Penso que o nosso mercado deve voltar ao básico, retomar as leituras dos livros clássicos e tentar aplicar esses conceitos de maneira mais incisiva. Esse vai ser mais um trabalho muito interessante de ver pronto.
 

Bom, gostaria de dizer que concluí a minha releitura do clássico "Colapso" de Jared Diamond. Tem muito mais coisa para dizer, mas vou só resumir alguns pontos hoje, posteriormente trarei mais alguns:
- Ele considera que há 12 grandes temas ambientais que proporcionam o colapso das civilizações: energia, limite fotossintético, produtos químicos tóxicos, mudanças atmosféricas, destruição de hábitats, desflorestamento, sobrepesca, extinção de espécies, perda de solos, falta de água potável, introdução de espécies exóticas, gases estufa, população e impacto per capita. Desses todos, nos dizem respeito diretamente a perda de solo, a água potável e os produtos químicos tóxicos, embora eu pessoalmente ache que o impacto per capita, totalmente desproporcional entre a população rica e a imensa população pobre é algo muito relevante.
- Nesse sentido, ele aponta que, em 2004, um cidadão dos EUA, União Europeia ou Japão consome 32 vezes mais recursos que um cidadão latino-americano;
- Os mais altos índices de contaminação por metais e pesticidas estão nas populações dos inuits (esquimós), onde não há uso dessas substâncias. Isso ocorre por eles se alimentarem quase exclusivamente de pescados, e essas SQIs se bioacumulam, causando alta contaminação no sangue e leite materno das populações inuits;
- Em 2003, nos EUA, morriam por ano 130 mil pessoas em decorrência da poluição do ar. E não há número confiável, mas estima-se que há um grande número de mortes causadas por poluição e contaminação do solo e água;
- A última nota que vou destacar é quando ele trata da contaminação causada por empresas. Ele diz que culpar a empresa é parte do problema e não deve mudar muita coisa, uma vez que isso ignora o fato de que a empresa existe para dar lucro aos seus donos e aos seus acionistas, essa seria a "função social" das empresas, e gastos com prevenção ou remediação tornariam essas atividades inviáveis. O que eu comento sobre isso: então seria o caso de procedermos como temos feito atualmente: em nome da viabilidade das empresas a sociedade deve arcar com esses custos ambientais, sociais e econômicos? Seria a contaminação, então, um problema inerente ao sistema econômico como um todo? Quem deveria decidir sobre isso?

Por último, gostaria de comentar sobre o que eu tenho falado continuamente, de educação ser poder. Recomendo muito o Canal Manual do Mundo no Youtube. Quem tem crianças e mesmo quem gosta de ciências, de experimentos, etc, é algo realmente muito bom de assistir, eu mesmo sou um grande fã deles. Essa palestra do criador do canal, o Iberê Thenório, fala muito bem sobre essa questão da Educação e poder. De quebra ele rememora os bons tempos do Mundo de Beakman e do X-Tudo. Assistam: https://www.youtube.com/watch?v=C1ypPxT0HHk



Nessa semana entraram novos amigos e amigas na nossa Newsletter. Um salve para os novos membros: Leandro, Claudio e Milton. Bem-Vindos!!!!

Vamos agora às principais notícias e dicas da semana:


1. O Episódio #025 do Podcast, foi a 2ª parte da entrevista com Charles Oliveira de Jesus, o "Mestre Charles". Grande amigo, companheiro de todas as horas, professor, e o coração e alma da ECD. Ele continua seu relato falando de alguns perrengues de campo, mas também fala de grandes "pescarias" que protagonizou. Ele finaliza a conversa com um relato emocionante sobre a saída da ECD do galpão que nos abrigou nos últimos 16 anos. Como vocês vão ver na conclusão dessa saga, o Charles é um grande profissional e um exemplo para todos nós, de luta, perseverança, genialidade e dedicação. É uma honra poder caminhar ao lado dele!!! Como diria o poeta: "Oba, oba, oba Charles"


2. Estamos com 498 inscritos no Canal do Youtube. Vamos chegar nos 500? Inscrevam-se por favor: https://www.youtube.com/c/ECDTraining

3. Complemento no documento do ITRC sobre PFAS. Novos Fact Sheets sobre esse tema, que está entrando muito nas nossas conversas cotidianas: https://pfas-1.itrcweb.org/fact-sheets/

4. De todos os Fact Sheets, recomendo (claro) o de investigação. Será desafiador o nosso trabalho: https://pfas-dev.itrcweb.org/wp-content/uploads/2020/10/site_char_508_2020Aug.pdf

5. Ainda nesse tema, Webinar apresentado pelo famoso Ian Ross, Senior Technical Director da Arcadis do Reino Unido: https://www.youtube.com/watch?v=pPayHHVaBhY&feature=emb_logo

6. Artigo publicado por Rafael Faquim e Juliana Freitas falando de Remediação com uso de Percarbonato de Sódio. Para o pessoal de ISCO, vale a pena dar uma olhada : https://revistaig.emnuvens.com.br/rig/article/view/695 

7. Jim Deppa, da Terracon, especialista em modelagem 3D apresenta um modelo muito bacana feito para mostrar o que aconteceu após um vazamento de PCE a partir de dados de amostragens de solo. Na minha opinião, só faltou relacionar melhor com as unidades hidroestratigráficas. De qualquer modo, é um modelo muito bacana e mostra o funcionamento do sketchfab: https://sketchfab.com/3d-models/soil-investigation-chemical-storage-facility-cca8b46742a54d9ab64d2b06fb14917f

8. Um gráfico interessante. Você acertaria o resultado? https://twitter.com/anarina/status/1315006963521122305?s=08 

9. Texto curto, mas interessante e ilustrativo sobre sondagem com Hollow feito pela Cascade Inc. Obviamente é uma peça de propaganda, mas me lembra que há a necessidade do mercado conhecer as opções de sondagem. O que vocês acham? Vocês já dominam o tema ou esse assunto merece alguma explicação minha? https://www.cascade-env.com/resources/blogs/archive/drilling-105-an-introduction-to-auger-drilling/

10. Mais uma aula bem legal da Juliana Pessim no Youtube: classificação de solos. Tema muito importante na nossa área de GAC: https://www.youtube.com/watch?v=vviZo0hZg8M&feature=youtu.be

11. Tom Koester relata uma investigação de screening vertical em tempo real de uma área fonte, cuja SQI era clorobenzeno. Por causa da substância, ele usou o que chamou de MIP-HTL, que, confesso, não conhecia. Aparentemente é uma trunkline aquecida, para que não exija muito tempo de descontaminação após o ensaio pegar um hot spot. Nesse caso, ele teve que "sacrificar" o HPT para ter um ensaio mais apropriado. Mostrando, mais uma vez, que não existe solução única, nem ferramenta única para todos os casos, precisamos usar a cabeça e tentar fazer as melhores escolhas: https://sketchfab.com/3d-models/soil-investigation-chemical-storage-facility-cca8b46742a54d9ab64d2b06fb14917f

12. Estudo brasileiro na Nature. Com a recuperação vegetal é possível salvar muitas espécies da extinção e "sequestrar" 49% do Carbono emitido pós-Revolução Industrial. Sim, estudo brasileiro publicado na Nature sobre Meio Ambiente. Vale a pena


13. Dica de Calvin Iost, Earth Soft doa licenças do Equis para o SENAC. Nossos alunos de Pós em Remediação e em Gerenciamento de Áreas Contaminadas vão adorar!!!!! Um trabalho do próprio Calvin, do Rodrigo Cunha e outros amigos que viabilizaram isso com a Earth Soft!!! Demais: https://www.linkedin.com/feed/update/urn:li:activity:6722174513351536640/

14. Professor Francisco Rodrigues, da USP, divulga suas aulas sobre Ciências de Dados. Excelente!!!!!: 

15. Péssima notícia: pesquisa aponta que o SARS-CoV-2 afeta tecido cerebral, mais uma sequela até então desconhecida: https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/10/15/estudo-comprova-que-novo-coronavirus-afeta-o-cerebro-e-detalha-seus-efeitos.htm

16. Sempre é bom relembrar: vejam a história do Superfund: https://www.epa.gov/superfund/superfund-history. Vejam a luta que foi implementar esse programa. Não é fácil, minha gente!!!!

17. Artigo bem legal sobre o petróleo derramado no litoral brasileiro e algumas lições aprendidas (aprendidas?). https://jornal.usp.br/artigos/as-licoes-sobre-o-oleo-que-manchou-o-litoral-do-brasil/

18. Estava pesquisando sobre interferentes domésticos em estudos de intrusão de vapores e me deparei com esse site. Não é lá Científico com C maiúsculo, mas dá pra dar uma olhada legal: https://incrivel.club/criatividade-casa/17-objetos-toxicos-que-estao-em-sua-casa-300860/



20. Essa é uma dica quentíssima de Willem Takiya. Webinar da Earth Soft sobre o módulo de intrusão de vapores do Equis: https://www.linkedin.com/posts/earthsoft_office-hour-an-introduction-to-the-equis-activity-6722843554462371840-UjvM/

21. Nobel da Paz temem que o número de pessoas em situação de vulnerabilidade alimentar irá dobrar no planeta. Há sustentabilidade com tanta gente sem ter o que comer? https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2020/10/10/fome-no-mundo-e-america-latina.htm



Por hoje é isso. Aguardo os comentários, sugestões e críticas. Mais uma vez peço que acessem o https://apoia.se/ecdambiental para vocês conhecerem melhor a nossa campanha e, se puderem, contribuírem conosco.


Se alguém não quiser mais receber as minhas mensagens, é só responder esse e-mail com o texto REMOVER


Mais uma vez obrigado pela atenção e até a semana que vem

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Serviços da ECD

Newsletter ECD #014

ECD Ambiental